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3 de setembro de 2019

Progresso da Humanidade



Progresso da Humanidade

 

NOTA PARA MELHOR ENTENDIMENTO DO TEXTO: Segundo o  Espiritismo há no universo diferentes mundos habitados, ou seja, os muitos planetas espalhados pelo cosmo possuem infinitas categorias e para classificar estes mundos, numa ordem básica, considera-se o grau de   evolução das sociedades que os habitam: mundos primitivos (as sociedades ainda estão muito apegadas ao instinto. São próximas ao que conhecemos hoje como “homens das cavernas”); mundos de provas e expiações (planetas em que os habitantes ainda estão ligados às más inclinações, mas já conseguem discernir o que é bom e reencarnam para reparar erros do passado - é o estágio em que a Terra se encontra); mundos de regeneração (as sociedades já estão mais conectadas à verdadeira vida e conseguem colocar em prática com mais frequência a vontade divina); mundos felizes e ditosos (o império do bem sobre o mal é a razão para a felicidade de suas sociedades); mundos celestes e divinos (somente reencarnam espíritos depurados. Nestes mundos apenas o bem é praticado).
“[...] vós já haveis progredido, vós que me escutais: sois infinitamente melhores do que há cem anos; de tal maneira vos modificastes para melhor, que aceitais hoje sem repulsa uma infinidade de ideias novas sobre a liberdade e a fraternidade, que antigamente teríeis rejeitado. Pois daqui a cem anos aceitareis também, com a mesma facilidade, aquelas que ainda não puderam entrar na vossa cabeça.”¹
A comunicação dos espíritos com os encarnados a fim de trazer-nos as revelações e esclarecimentos acerca do plano mais etéreo da vida foi planejada há muito, como evidenciam as palavras de Jesus Cristo sobre o Consolador por Ele prometido: “Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique eternamente convosco, [...] vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”².
Era necessário, no entanto, que a humanidade estivesse preparada e suficientemente adiantada para compreender com clareza os novos ensinamentos. Mil e oitocentos anos se passaram para que pudesse ser notado nas sociedades o progresso dos ideais de justiça e da busca por esclarecimento, como já anunciava o lema da Revolução Francesa³: “liberdade, igualdade e fraternidade” e podia ser percebido nas motivações de tantos outros movimentos da época, como o Iluminismo e a abolição da escravatura, que já começava a ser discutida e efetivada em vários países. Dessa maneira, o trecho que inicia esse texto não poderia descrever e identificar melhor os avanços alcançados no século XIX, em comparação ao século anterior.
Essas mudanças são sintomas perceptíveis da evolução do planeta. Há, contudo, uma permanente impressão, não rara, de que a situação na Terra está a cada dia pior, o que incita a contestação de tal evolução.
A explicação para isso não é complexa: na medida em que a era de regeneração se torna mais próxima, muitos espíritos ganham sua última oportunidade de reencarnação para reparar seus erros passados e conseguir acompanhar a evolução do planeta. É certo que grande parte desses espíritos está na erraticidade há muito tempo e tem dificuldades para se desfazer de seus vícios e para tentar alinhar suas práticas com a vontade divina.
Embora haja tantos espíritos encarnados ainda ligados às suas más inclinações, é inegável que parcela considerável da humanidade protagoniza hoje evolução científica e do pensamento social jamais registrada na Terra. Esse é um sinal mais evidente da evolução do planeta, que chegará a mundo de regeneração ainda nesse milênio.
Dessa maneira, é certo que a humanidade caminha rumo a um mundo mais equilibrado, livre dos excessos materiais e mais ligado à verdadeira vida. Nesse sentido, devemos entender que a cada um de nós cabe buscar a reforma íntima, a fim de conseguirmos acompanhar a evolução do planeta e mantermo-nos em condições de habitá-lo na era de regeneração.

¹ ESSE, cap XI, item 10
² João, XIV: 15 a 17 e 26
³  Nesse sentido, leva-se em conta apenas o ideal de progresso no qual a Revolução se baseou. As batalhas e mortes provocadas nesse contexto não estão sendo consideradas.

19 de fevereiro de 2019

Comece pelo começo

A campanha "Comece pelo Começo" foi lançada, em 1972, na Capital paulista, pelo Conselho Metropolitano Espírita, hoje, USE - União das Sociedades Espíritas do estado de São Paulo, com o objetivo de popularizar as Obras da Codificação Espírita, legadas por Allan Kardec, pseudônimo do eminente pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail.

Quer conhecer mais a campanha, acesse o nosso site: 

http://www.ceerj.org.br/portal/slideshow-grande/274-pelocomeco2019



13 de novembro de 2018

Aquele que se eleva será rebaixado



"Jesus entrou em dia de sábado na casa de um dos principais fariseus para aí fazer a sua refeição. Os que lá estavam o observaram. Então, notando que os convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes uma parábola dizendo: 'Quando fordes convidados para bodas, não tomeis o primeiro lugar, para que não aconteça que, havendo entre os convidados uma pessoa mais importante do que vós, aquele que vos haja convidado venha a dizer-vos: dai vosso lugar a este, e vos vejais constrangidos a ocupar , cheios de vergonha, o último lugar. Quando fordes convidados, ide colocar-vos no último lugar, a fim de que, quando aquele que vos convidou chegar, vos diga: Meu amigo, venha mais para cima. Isso então será para vós um motivo de glória, diante de todos os que estiverem convosco à mesa; porque todo aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se abaixa será elevado."  (Lucas. 14: 1 e 7 a 11) 

KARDEC, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. VII - Bem- aventurados os pobres de Espírito, item 5 

Comentário: 

Essa passagem do Evangelho nos mostra a importância da humildade, muito bem exemplificada por Jesus. Quantas vezes nós já desejamos uma situação em que estivéssemos em posição elevada? Será que estamos preparados para assumir uma posição superior? Será que a pretensa superioridade na existência material não esconde um vazio moral? De que adianta acumularmos riquezas e status se temos o Espírito envolvido pelos mais miseráveis sentimentos?

Não devemos esquecer que a posição que ocupamos na existência material é transitória. O que mais importa e o que nos conduzirá aos primeiros lugares no mundo espiritual é o poder do bem. 

Para que sejamos reconhecidos como grandes, não podemos deixar a ambição e o orgulho nos dominarem. Ao contrário, necessitamos evitar a vaidade, nos esforçando para alcançarmos a simplicidade, reunindo, assim, virtudes para que sejamos dignos de entrarmos no Reino dos Céus. 

31 de julho de 2018

Meu Reino não é deste Mundo




“Tendo Pilatos entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: “ És o rei dos judeus?” – Respondeu-lhes Jesus: “Meu Reino não é desse mundo, meus súditos teriam combatido para impedir que Eu caísse nas mãos dos judeus, mas meu Reino ainda não é este aqui. 

Disse-lhe então Pilatos: “Logo Tu és rei?” – Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence à verdade escuta minha voz.” (João, 18:33,36 e 37)

KARDEC, Allan - Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap II Meu Reino não é deste mundo – A vida futura, itens 2 e 3

Comentário:

Por etapas, enquanto esteve na Terra, Jesus lançou alguns fundamentos que mais tarde se tornariam base de todas as religiões cristãs. Dentre eles, o item acima destaca a existência de uma vida futura.

Naquela época, entre os judeus era muito difícil imaginar uma sobrevivência para além do presente. Acreditavam serem os anjos personagens mais próximos do que concebiam como prolongamento da vida. Essa vaga possibilidade, contudo, no imaginário deles não se tornaria verdade para todos. Ao mesmo tempo os judeus asssociavam o respeito às leis divinas  à obtenção de benefícios durante a vida material.

Quando Jesus mencionou a vida futura ele ampliou a extensão dessa ideia. Segundo seus ensinamentos, ela não é uma realidade de poucos, mas um princípio compartilhado por todos. À medida em que defende ser o seu Reino de outro mundo já dá indicação, construindo os primeiros pilares para a noção de continuidade da vida no futuro.

Mas a verdade revelada pelo Mestre se torna mais concreta um tempo depois, com o surgimento do Espiritismo. A divulgação dos ensinamentos dos Espíritos fazem a ideia de vida futura ganhar sustentação a partir das descrições do funcionamento do Plano Espiritual. A própria manifestação dos Espíritos é, em si, uma comprovação da continuidade da vida.

29 de maio de 2018

Verdadeira Pureza



"Então os escribas e os fariseus que tinham vindo de Jerusalém, aproximaram-se de Jesus e lhe disseram: “Por que violam os teus discípulos a tradição dos Antigos, já que não lavam as mãos quando fazem refeições? ”

Jesus lhes respondeu: Por que violais vós outros o mandamento de Deus, para seguir a vossa tradição? Porque Deus pôs este mandamento: Honrai a vosso pai e a vossa mãe ; e este outro: Seja punido de morte aquele que disser a seu pai ou a sua mãe palavras ultrajantes; e vós outros, no entanto, dizeis: Aquele que haja dito a seu pai ou a sua mãe: 
Toda oferenda que faço a Deus vos é proveitosa, satisfaz à Lei, ainda que depois não honre nem assista a seu pai ou sua mãe.  Tornam assim inútil o mandamento de Deus, pela vossa tradição.

Hipócritas, bem profetizou de vós Isaías, quando disse: Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim; é em vão que me honram ensinando máximas e ordenações humanas.

Depois, tendo chamado o povo, disse: Escutai e compreendei bem isto: Não é o que entra na boca que macula o homem; o que sai da boca do homem é que o macula. O que sai da boca procede do coração e é o que torna impuro o homem; porque é do coração que partem os maus pensamentos, os assassínios, os adultérios, as fornicações, os latrocínios, os falsos testemunhos, as blasfêmias e as maledicências. Essas são as coisas que tornam impuro o homem, mas comer sem haver lavado as mãos não é o que o torna impuro.

Então, aproximando-se dele, disseram-lhe seus discípulos: Sabeis que, ouvindo o que acabais de dizer, os fariseus escandalizaram-se? Ele porém respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. – Deixai-os, são cegos que conduzem cegos; se um cego conduz outro, ambos caem no fosso. (Mateus, 15:1 a 20)

Enquanto Ele falava, um fariseu lhe pedia que fosse jantar em sua companhia. Jesus foi e sentou-se à mesa. O fariseu começou então a dizer consigo mesmo: Por que Ele não lavou as mãos antes de jantar? – Disse-lhe, porém, o Senhor: Vós outros, fariseus, tendes grande cuidado em limpar o exterior do copo e do prato; entretanto o interior de vossos corações está cheio de rapinas e de iniquidades. Insensatos que sois! Aquele que fez o exterior não é o que faz também o interior? (Lucas, 11:37 a 40)"

KARDEC, Allan - Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap VIII Os que tem puro o coração - Verdadeira Pureza - Mãos não lavadas, itens 8 a 10


Comentário:
Os fariseus, grupo de judeus que deu origem às sinagogas, davam muita importância às tradições e aos modos de cumprir as leis de Moisés e as ações do cotidiano. Por isso, exerciam a religiosidade de forma ritualizada e sacralizada, fazendo seus adeptos serem mais preocupados com a forma do que com a moral da mensagem divina.

Nessa passagem evangélica, Jesus deixa claro que de nada adianta uma religião que não atinge seu objetivo principal, que é apresentar para nós, Espíritos imperfeitos, um caminho para a reforma íntima, nos religando, assim, a Deus. E como podemos demonstrar nossa transformação moral, senão por meio de nossos pensamentos, ações e, finalmente, nossas palavras?

A partir dessa reflexão, podemos entender o porquê de Jesus ter dado pouca importância ao ato de lavar as mãos. Afinal, que diferença essa ação faria na evolução espiritual de quem a praticasse? No entanto, o Mestre, em sua máxima sabedoria, nos mostra que devemos de fato observar nossas palavras, pois o que falamos reflete o nosso estado de espírito, o que está no nosso coração, e, por consequência, se estamos nos esforçando para agir de acordo com as leis divinas.